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I’m here, I’m not queer, but I still have fun!

A primeira vez que eu me vi de cara com o mundo gay foi logo na Parada Gay, de São Paulo. Eu tinha uns 12 anos e passei a pé por uma das transversais que cortam a Av. Paulista. Eu estava com meu padrinhos e a gente tinha ido fazer umas compras, a pé mesmo. Foi quando eu ouvi um cara dizendo “Eu sou gay, eu pago as minhas contas e não devo nada a ninguém”. Eu era nova, tá, mas isso me fez pensar loucamente na vida – aqueles pensamentos loucos que a gente tem de vez em quando, introspectivos e que às vezes nem você entende. Sinceramente, eu achei aquilo o máximo.

Uns 2 anos se passaram e rodando pelos programas da madrugada, eu páro com um canal onde um cara chupava o outro num lugar escuro, com a luz meio azulada. Achei meio bizarro, mas a curiosidade fala mais alto, sempre! Continuei assistindo e ali começou uma paixão. Queer as Folk. Conheci muito do mundo gay, desse mundo estranho que ninguém nunca tinha comentado de forma correta ou, sei lá, dificilmente a gente ouve alguém falando sobre homossexualismo com naturalidade. Normalmente tratam como se fosse algo nojento ou digno de piadas sem graça. Eu, na minha pura curiosidade e falta do que fazer à noite, continuei assistindo ao programa.

Eu realmente me apaixonei por QaF. Esperava ansiosa por cada capítulo, chorava, ria e me imaginava em alguns personagens. E apesar de tudo, eu nunca senti desejo algum em virar lésbica. Pelo contrário, o que eu queria mesmo era conhecer mais e mais esse mundo onde a cor é mais viva, as músicas são mais dançantes e ninguém se importa muito com o que os outros vão pensar – entre eles, claro. Só que eu era muito nova. Me contentava em baixar as músicas da série pelo Kazaa – old school, man – e assistir às reprises dos capítulos.

Os 18 anos chegaram. E a vontade de ir à uma boate gay só aumentava. E eu não tinha amigos para irem comigo. Surgiu a necessidade urgente de um amigo gay. Nesse meio tempo, eu comecei a ler fanfics de Harry Potter onde os personagens são gays. Acabei escrevendo uma também, mas ela está pela metade. Falta tempo, inspiração… Foi quando surgiu, meu primeiro amigo gay. Numa noite sem nada pra fazer, nós acabamos indo pra uma boate gay frequentada da cidade. Ali eu me realizei! Poder dançar sem ninguém ficar te apalpando ou cantando, observar seu amigo dar em cima dos caras, dançar até ficar toda dolorida e o dia amanhecer, fumar meus cigarros em paz e poder sentir que mesmo não sendo desse mundo, eu faço parte dele.

Eu nunca fui uma pessoa preconceituosa e eu não pretendo ser. E muitas vezes, as pessoas me olham torto por eu gostar tanto de coisas gays, desde o arco-íris às baladas. Eu adoro isso e não vou deixar de vivenciar meu gosto.

“The thumpa-thumpa continues…”

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Olha e vê.

Ele passou, mais uma vez. Eu o vi, óbvio.
Aliás, tenho visto ele desde a primeira vez que o vi. Ele olha, mas não vê. Acho que nunca chegou a ver além daquilo que ele queria. Mas o que ele vê? É o mesmo que eu vejo no espelho todos os dias? Não, não deve ser. Ele não me vê, só isso.
Duvido que saiba que eu existo.
Duvido que ele repare no meu corte de cabelo assim como eu reparo no dele.
Duvido que ele perceba que eu me vesti toda de verde, só porque ele é palmeirense.
Duvido que ele tenha me visto da primeira vez que eu o vi.
Quando ele passava, ficava tensa, parava de respirar por segundos, mas poderiam ser horas.
Quando ele passava, meu corpo se contorcia todo, só pra ver o dele gingando.
Quando ele passava, o perfume dele invadia a minha cabeça e os meus pensamentos
E da primeira vez, eu me apaixonei pelos olhos dele. Pela boca dele. Pelo jeito dele. Por ele gostar das mesmas bandas que eu.
Olhei lá no fundo e vi o que acabou se tornando os meus sonhos de todas as noites. E os meus devaneios de todos os dias.
Mas ele não via, sequer olhava. Nem sabia que eu estava apaixonada.

Defenestras?

TV, papel, chiclete, copo, a mãe, computador, perfume, fogos de artifício, balão, bola, ovo, gelo, tênis, ranho, cabelo, xarope, comprimido, a mãe, o pai, contas de luz, telefone, celular, garrafa, prendedor de cabelo, brinco, meia, o atendente de telemarketing, trabalhos, faculdade, horários, professor, comida, resto de maçã, resto de pêra, resto de creme dental, cuspe, meleca, cera de ouvido, lápis, caneta sem tinta, caneta com tinta, refil da caneta, vendedor de loja, almofada, chave, pó, sujeira, escova de dente, pente, o cara que vai a 30km/h na faixa da esquerda, carteira de motorista, IPVA, IPTU, IGPM, IIS, INSS, o marido, filhos, os filhos que não tem, o avô que morreu, a prima que mora longe, ursinho de pelúcia, calcinha, cueca, roupas do ex-marido, fogo, água, terra, coração, vidro, plástico, saco de salgadinho, pipoca, arroto, aquela pessoa que senta do seu lado no ponto de ônibus e não pára de falar, prova de matemática em plena segunda feira, aula, colega chato, mau humor, gripe, camisinha, conversa fora, beijo…

Quem nunca jogou – ou pensou em jogar – uma dessas coisas pela janela, que atire a primeira pedra – pela janela.

Primeiras Vezes

Era a primeira vez que ela ia buscar alguém de carro. Era a primeira vez que ele seria buscado.
Era a primeira vez que ela o via, ao vivo, em cores. Era a primeira vez que ele não a via somente em seus sonhos.
Era a primeira vez que ela escutava a risada dele, que via seu sorriso, que percebia suas espinhas, que reparava no seu cabelo. Era a primeira vez que ele a admirava, que apreciava o brilho do olhar dela, que notava seus lábios, que ouvia sua voz escandalosa.
Era a primeira vez que andavam por aí, juntos.
Era a primeira vez que não se importavam com o barulho lá fora, pois o silêncio ali dentro era muito mais importante do que qualquer outro ruído banal.
Era a primeira vez que descobriam que gostavam das mesmas músicas, que curtiam os mesmos jogos antigos, que desejavam assistir aos mesmo filmes.
Era a primeira vez que ela subia um morro. Era a primeira vez que ele ficava num carro com alguém que nunca havia subido um morro.
Era a primeira vez que ela ia à praia à noite. Era a primeira vez que ele ia à praia com ela.
Era a primeira vez que eles conversaram com o banco deitado, com a lua de testemunha, com o som das ondas, com o brilho das estrelas, com as vozes alteradas, com o coração disparando, com o vidro molhado…
Era a primeira vez dela, com um cara mais novo. Era a primeira vez dele.
E era a primeira vez que os dois se apaixonaram de verdade.

Eu nunca consegui esperar pra escrever alguma coisa que eu realmente quero e que tem um valor todo especial. Esse texto comemora os 11 meses ao lado dele. E eu me sinto como se já fizessem anos…

Parabéns pra nós, por nos agüentarmos e amarmos mutuamente!

Cada louco no seu hospício.

Eu nunca comentei com ninguém, porque acho que não tive necessidade. E como aqui eu posso escrever o que eu quiser, da forma que eu escolher, vou anunciar para o mundo (ok, só para os que me lêem) o meu gosto um tanto quanto inusitado. Porque nunca vi alguém gostar disso. Todo o lugar que eu vou, se têm alguma rodinha de pessoas que comentam sobre, é alguma coisa negativa. E eu sou ao contrário.

Adoro pegar ônibus. VER-DA-DE! Não pelo prazer de ficar esperando, muito menos pelo preço (que a cada ano aumenta um muito), mas pela diversidade de pessoas. E o legal é que eu pego ônibus sempre no mesmo horário e as pessoas nunca são iguais.

Gosto de ouvir música olhando pela janela. O caminho é o mesmo: as mesmas lojas, mesmos pontos de ônibus, mesmas árvores, até os buracos da rodovia eu já decorei. Só que eu me sinto tão bem fazendo isso. O sol tá nascendo e eu consigo ver os primeiros raios da manhã (claro, se eu tiver a oportunidade acordo a tempo de ver os primeiros raios da tarde, mas enfim). Tenho meu lugarzinho especial já. Na poltrona da janela, de frente para o cobrador.

Adoro ouvir conversas alheias. Sou enxerida, fato. Até tiro meu fone de ouvido pra escutar melhor. E já ouvi cada coisa. Mulher que fez barraco porque a descobriu a amante, receita de bolo, meninos discutindo a profundidade/elasticidade da vagina, já vi amigas brigando e até um cara tocando violão.

E como tudo o que é bom, as coisas ruins aparecem. Não suporto dois tipos de pessoa: as faladeiras e fedidas. As fedidas por motivos óbvios. Certa vez, uma mulher fedendo a cigarro entrou no ônibus, sentou e todo mundo ao redor foi saindo de perto dela. Eu, inclusive. E as faladeiras que interrompem esse momento de paz comigo mesma.

Tem louco pra tudo no mundo. Eu escolhi ser a doida que gosta de andar de ônibus…