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Olha e vê.

Ele passou, mais uma vez. Eu o vi, óbvio.
Aliás, tenho visto ele desde a primeira vez que o vi. Ele olha, mas não vê. Acho que nunca chegou a ver além daquilo que ele queria. Mas o que ele vê? É o mesmo que eu vejo no espelho todos os dias? Não, não deve ser. Ele não me vê, só isso.
Duvido que saiba que eu existo.
Duvido que ele repare no meu corte de cabelo assim como eu reparo no dele.
Duvido que ele perceba que eu me vesti toda de verde, só porque ele é palmeirense.
Duvido que ele tenha me visto da primeira vez que eu o vi.
Quando ele passava, ficava tensa, parava de respirar por segundos, mas poderiam ser horas.
Quando ele passava, meu corpo se contorcia todo, só pra ver o dele gingando.
Quando ele passava, o perfume dele invadia a minha cabeça e os meus pensamentos
E da primeira vez, eu me apaixonei pelos olhos dele. Pela boca dele. Pelo jeito dele. Por ele gostar das mesmas bandas que eu.
Olhei lá no fundo e vi o que acabou se tornando os meus sonhos de todas as noites. E os meus devaneios de todos os dias.
Mas ele não via, sequer olhava. Nem sabia que eu estava apaixonada.

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Primeiras Vezes

Era a primeira vez que ela ia buscar alguém de carro. Era a primeira vez que ele seria buscado.
Era a primeira vez que ela o via, ao vivo, em cores. Era a primeira vez que ele não a via somente em seus sonhos.
Era a primeira vez que ela escutava a risada dele, que via seu sorriso, que percebia suas espinhas, que reparava no seu cabelo. Era a primeira vez que ele a admirava, que apreciava o brilho do olhar dela, que notava seus lábios, que ouvia sua voz escandalosa.
Era a primeira vez que andavam por aí, juntos.
Era a primeira vez que não se importavam com o barulho lá fora, pois o silêncio ali dentro era muito mais importante do que qualquer outro ruído banal.
Era a primeira vez que descobriam que gostavam das mesmas músicas, que curtiam os mesmos jogos antigos, que desejavam assistir aos mesmo filmes.
Era a primeira vez que ela subia um morro. Era a primeira vez que ele ficava num carro com alguém que nunca havia subido um morro.
Era a primeira vez que ela ia à praia à noite. Era a primeira vez que ele ia à praia com ela.
Era a primeira vez que eles conversaram com o banco deitado, com a lua de testemunha, com o som das ondas, com o brilho das estrelas, com as vozes alteradas, com o coração disparando, com o vidro molhado…
Era a primeira vez dela, com um cara mais novo. Era a primeira vez dele.
E era a primeira vez que os dois se apaixonaram de verdade.

Eu nunca consegui esperar pra escrever alguma coisa que eu realmente quero e que tem um valor todo especial. Esse texto comemora os 11 meses ao lado dele. E eu me sinto como se já fizessem anos…

Parabéns pra nós, por nos agüentarmos e amarmos mutuamente!

Eu poderia passar horas escrevendo como seria uma noite perfeita.

Aquela regada a muito champanhe e sexo. Você chega no motel com seu par, ambos não têm pressa. Deitam na cama, sentem o cheiro do lençol recém esterelizado, mas o ambiente exala o odor do sexo. Rolam por uns bons minutos, entre beijos, roupas e travesseiros jogados ao chão. Logo as roupas também estão no chão. As mãos se procuram e se encontram nos lugares mais erógenos que possam existir. As línguas tateiam por esses mesmo lugares. O champanhe é estourado e as bocas se aproveitam dele. E daí que sujou todo o colchão? O que interessa mesmo é o prazer. Ah, o prazer… E a noite termina com o casal extasiado, feliz, e dormindo sob o edredon, nus.

Ou pode ser aquela numa balada, seja ela qual for. Rock, pop, samba, hip-hop. O lugar começa a encher lá pela meia noite. As trocas de olhares são inevitáveis; o copo com o drink vai à boca, como forma de sedução. A música começa, cadenciada, rítmica e o corpo vai tomando a forma daquele som. O gelo do copo quase todo derretido, é hora de buscar outro. Quem se importa se a caipirinha custa R$9,00 um copo com 200ml? Lá pelas 2hrs da manhã, estão todo meio embriagados e a bebida já fez o papel dela de Photoshop. E de palhaça também. Os amigos começam a rir de qualquer coisa, o dinheiro pra mais bebidas começa a acabar, a chapinha começa a se desfazer. E lá pelas 4hrs, os casais recém-formados partem para o motel ou lugar deserto mais próximo, enquanto os solteiros partem para a única lanchonete da cidade aberta 24hrs.

Há também a noite com os amigos. Um grupo de seja lá quantas pessoas forem, que adoram se divertir, se reúnem para conversar, rir e contar piadas. Geralmente tem um líder, o que junta a galera toda. E as reuniões são geralmente na casa dele. Enquanto todos perguntam o que vão fazer, alguém sugere um jogo de tabuleiro. O jogo dura várias rodadas e se estende por várias horas. Aí, um indivíduo pergunta de novo o que irão fazer. Um cara sugere que peçam uma pizza. Todos juntam os trocados pra pagar a pizza e o refrigerante. Comer, beber e rir. Alguém pergunta o que irão fazer e a menina sugere uma volta na praia… E a noite segue, sem que tenham feito nada, mas aproveitando tudo.

Existe aquela noite que se passa sozinho. No computador, vendo um filme, comendo. É quando você pode refletir consigo mesmo tudo o que você tem passado. É a noite, considerada por muitos, como a do perdedor. Talvez não seja. Talvez seja por escolha, por vontade de não sair, por falta de dinheiro, de companhia. Talvez seja porque o assunto com seu amigo no MSN seja mais interssante que os assuntos fúteis lá fora. Talvez seja porque a comida da sua mãe seja mais barata que os absurdos nos bares. Ou porque a sua companhia é a que você mais aprecia no mundo todo.

Eu passaria horas em cada uma dessas noites e não saberia dizer qual delas é a melhor.