Posts Tagged 'fim'

Olha e vê.

Ele passou, mais uma vez. Eu o vi, óbvio.
Aliás, tenho visto ele desde a primeira vez que o vi. Ele olha, mas não vê. Acho que nunca chegou a ver além daquilo que ele queria. Mas o que ele vê? É o mesmo que eu vejo no espelho todos os dias? Não, não deve ser. Ele não me vê, só isso.
Duvido que saiba que eu existo.
Duvido que ele repare no meu corte de cabelo assim como eu reparo no dele.
Duvido que ele perceba que eu me vesti toda de verde, só porque ele é palmeirense.
Duvido que ele tenha me visto da primeira vez que eu o vi.
Quando ele passava, ficava tensa, parava de respirar por segundos, mas poderiam ser horas.
Quando ele passava, meu corpo se contorcia todo, só pra ver o dele gingando.
Quando ele passava, o perfume dele invadia a minha cabeça e os meus pensamentos
E da primeira vez, eu me apaixonei pelos olhos dele. Pela boca dele. Pelo jeito dele. Por ele gostar das mesmas bandas que eu.
Olhei lá no fundo e vi o que acabou se tornando os meus sonhos de todas as noites. E os meus devaneios de todos os dias.
Mas ele não via, sequer olhava. Nem sabia que eu estava apaixonada.

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Baralho

Estava ocupando seu tempo jogando paciência no computador.
O ouros parecia quadrado demais em seu losango. Como precisava de ouro, meu Deus. O conserto do carro, a faculdade, comida e absorventes. E sem ter mais de onde tirar, ela trancou a faculdade, o carro estava amassado há meses, comia miojo com salsicha. Só sobrava dinheiro pro absorvente. Algum luxo ela tinha que ter.
E paus, esse nem se fala. Uma árvore. Mas ela só conseguia pensar no objeto fálico. Claro, estava há dias sem sexo. Alguém que pudesse lhe dar todo o prazer, a luxúria sem compromisso e a conversa regada a cerveja a cigarros, mas ela não ia encontrar, afinal precisava dele. Amor.
Copas, com seu coração vermelho pulsante, mostrava tudo o que um dia ela jamais teria. O amor verdadeiro, o amor sincero e nada tedioso. O amor com quem ela pusesse transar, em quem ela pudesse confiar, o amor que iria trazer sua vida de volta.
A espada foi a salvação. Aquela vida sem sentido, sem amor. Ela estava desalmada e não havia retorno.
Estranharam quando a encontraram jogando paciência, o teclado manchado de sangue e ao lado, uma nota.

“Ao baralho, que me mostrou que nem o coringa pode me ajudar.”

Fofolete

Uma homenagem à mestra, filha, irmã, mãe, avó, bisavó, babá, cozinheira, lavadeira, esposa, rainha, mulher da família, ponto de encontro, serena, tranqüila, cúmplice, tecladista e à pessoa mais forte e bondosa que já conheci!

Vai em paz, vózinha linda! Minha fofolete…

O fim.

Desejado.
Você passa um determinado intervalo de tempo trabalhando em algo, para que ele chegue ao final. E você poderá mostrar a todos que terminou.
Mas quando o fim chega, tudo perde o sentido. E agora? Consegui! E como continua?
É quase como aquele episódio que o Coiote pega o Papa-Léguas. Depois de tanto tempo perseguindo algo, eu alcancei. A graça foi embora, junto com a vontade.
Somos feitos de um grande começo e um grande final. E entre eles, há uma espiral de inícios e términos. Nossa vida nada mais é do que sucessivas conquistas e derrotas, todas aguardando pelo grande desfecho. Aquele que não se pode evitar. Aquele que mostraremos a todos, mesmo sem estar sabendo. Mesmo sem estar presente em alma. Somente em corpo.
É no fim que obtemos a glória, o sucesso. Talvez não a felicidade. Essa é obtida durante todo o percurso, através das pequenas vitórias para se chegar ao topo. E por fim, a batalha para permanecer lá em cima.
Por isso, “começo” esse blog do fim. Já alcancei o que queria, agora vou me manter aqui.