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Cada louco no seu hospício.

Eu nunca comentei com ninguém, porque acho que não tive necessidade. E como aqui eu posso escrever o que eu quiser, da forma que eu escolher, vou anunciar para o mundo (ok, só para os que me lêem) o meu gosto um tanto quanto inusitado. Porque nunca vi alguém gostar disso. Todo o lugar que eu vou, se têm alguma rodinha de pessoas que comentam sobre, é alguma coisa negativa. E eu sou ao contrário.

Adoro pegar ônibus. VER-DA-DE! Não pelo prazer de ficar esperando, muito menos pelo preço (que a cada ano aumenta um muito), mas pela diversidade de pessoas. E o legal é que eu pego ônibus sempre no mesmo horário e as pessoas nunca são iguais.

Gosto de ouvir música olhando pela janela. O caminho é o mesmo: as mesmas lojas, mesmos pontos de ônibus, mesmas árvores, até os buracos da rodovia eu já decorei. Só que eu me sinto tão bem fazendo isso. O sol tá nascendo e eu consigo ver os primeiros raios da manhã (claro, se eu tiver a oportunidade acordo a tempo de ver os primeiros raios da tarde, mas enfim). Tenho meu lugarzinho especial já. Na poltrona da janela, de frente para o cobrador.

Adoro ouvir conversas alheias. Sou enxerida, fato. Até tiro meu fone de ouvido pra escutar melhor. E já ouvi cada coisa. Mulher que fez barraco porque a descobriu a amante, receita de bolo, meninos discutindo a profundidade/elasticidade da vagina, já vi amigas brigando e até um cara tocando violão.

E como tudo o que é bom, as coisas ruins aparecem. Não suporto dois tipos de pessoa: as faladeiras e fedidas. As fedidas por motivos óbvios. Certa vez, uma mulher fedendo a cigarro entrou no ônibus, sentou e todo mundo ao redor foi saindo de perto dela. Eu, inclusive. E as faladeiras que interrompem esse momento de paz comigo mesma.

Tem louco pra tudo no mundo. Eu escolhi ser a doida que gosta de andar de ônibus…

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Viagem ao centro do meu eu

Diante de alguns acontecimentos recentes, fiz uma visita ao meu eu interior. Já fazia tempo que não conversávamos, algo mais formal, mais tête-a-tête. Sinto como se nunca tivesse conversado comigo mesma, de verdade. Saber o que realmente me agrada, quais são as minhas reais opiniões, tentar descobrir o que eu estou fazendo aqui, se gosto de alguma coisa porque é mesmo gostoso ou porque algumas pessoas e mídias dizem que é.

Papeamos de boa e não cheguei à conclusão alguma. Eu poderia dizer que sim, mas estaria mentindo. Pra ser sincera, eu nunca esperava que eu pudesse responder coisas assim. Vivo tão cercada de tudo, que tudo acaba se tornando nada. E eu gosto de estar cercada de tudo. Principalmente de opiniões: preciso sentir a opinião das pessoas. Não apenas sobre mim, mas sobre tudo. Ou nada.

Eu nunca esperei agradar a todos. Isso é uma coisa que aprendi desde pequena e que soube levar. Sou muito tranquila, chego a ser desligada demais até. Parece até uma contradição: precisar estar cercada de coisas e ao mesmo tempo não conseguir prestar atenção em metade delas. Sou assim. Escolhi enxergar somente aquilo que quero enxergar. É um defeito, né? Às vezes é, porque não consigo ver o óbvio. Mas às vezes não.

Fecho os olhos para o que não me interessa. Sejam pessoas egoístas, opiniões petulantes ou futilidade. Mesquinharia, orgulho, mentira. Isso faço questão de não ver. É um clichê. Quem aprecia essas coisas? Os petulantes, orgulhosos, e fúteis. Mas ao contrário do que faço, eles preferiram não olhar para si mesmos. E apontam os erros alheios.

Baralho

Estava ocupando seu tempo jogando paciência no computador.
O ouros parecia quadrado demais em seu losango. Como precisava de ouro, meu Deus. O conserto do carro, a faculdade, comida e absorventes. E sem ter mais de onde tirar, ela trancou a faculdade, o carro estava amassado há meses, comia miojo com salsicha. Só sobrava dinheiro pro absorvente. Algum luxo ela tinha que ter.
E paus, esse nem se fala. Uma árvore. Mas ela só conseguia pensar no objeto fálico. Claro, estava há dias sem sexo. Alguém que pudesse lhe dar todo o prazer, a luxúria sem compromisso e a conversa regada a cerveja a cigarros, mas ela não ia encontrar, afinal precisava dele. Amor.
Copas, com seu coração vermelho pulsante, mostrava tudo o que um dia ela jamais teria. O amor verdadeiro, o amor sincero e nada tedioso. O amor com quem ela pusesse transar, em quem ela pudesse confiar, o amor que iria trazer sua vida de volta.
A espada foi a salvação. Aquela vida sem sentido, sem amor. Ela estava desalmada e não havia retorno.
Estranharam quando a encontraram jogando paciência, o teclado manchado de sangue e ao lado, uma nota.

“Ao baralho, que me mostrou que nem o coringa pode me ajudar.”

Fofolete

Uma homenagem à mestra, filha, irmã, mãe, avó, bisavó, babá, cozinheira, lavadeira, esposa, rainha, mulher da família, ponto de encontro, serena, tranqüila, cúmplice, tecladista e à pessoa mais forte e bondosa que já conheci!

Vai em paz, vózinha linda! Minha fofolete…

Let there be love.

Gosto do teu cheiro pós-banho e do cheiro pós-amor.
Gosto da tua carinha me pedindo alguma coisa e da alegria que você faz algo por mim.
Gosto dos teus olhos claros no sol e deles fechados durante o sono.
Gosto de dormir a tarde inteira e passar a noite acordados dando mil voltas por aí.
Gosto de falar de geopolítica e de ficar só deitados de frente pro outro, conversando com o olhar.
Gosto da tua mão molhada, de diversas formas.
Gosto da tua risada, do teu choro e da tua voz no telefone.
Gosto quando você sabe exatamente o que eu quero, mesmo que eu não diga.
Gosto quando você não mede esforços por nós e quando você mede cada centavo pra ser a figura responsável do relacionamento.
Gosto da sua responsabilidade e de como eu quebrei um pouco disso.
Gosto de você ter me ensinado sobre responsabilidade e como eu não deixei de ser um pouco indisciplinada.
Gosto dos nossos planos pro futuro e de não sabermos o que vamos fazer amanhã.
Gosto de cozinhar macarrão no almoço e comer fora no jantar.
Gosto da tua compreensão, do teu carinho, das tuas piadas sem graça.
Gosto do abraço, da companhia, da sinceridade.
Gosto das nossas promessas e mais ainda de cumprí-las.
Gosto da preocupação, das massagens e das diversas formas de quebrar o gelo.
Gosto de saber que o seu colo está aqui, sempre que eu precisar.
Gosto das nossas experiências e de tudo o que eu tenho aprendido.
Gosto, mais do que tudo, do que ainda temos para descobrir um com o outro.

Promoção Harry Potter

Algo extra-blog, relacionado à aula…

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Participem, people!

Coisas que aprendi na entrevista de emprego

Você não pode se atrasar, nunca, mas o chefe pode.
Você nunca vai dizer os seus defeitos realmente. Só vai eufemizá-los. E os seus chefes sabem o verdadeiro significado.
Você vai com a sua melhor roupa, a única. E se é contratado, volta a usar as roupas velhas.
Sempre tem um candidato falador e um tímido. Na sala de espera, o falador se acha melhor que todo mundo, tenta impressionar com a fala. O tímido acha que tá todo mundo olhando pra ele, por isso nem fala.
Você sempre acha que tem alguém melhor do que você. E esse alguém é o candidato falador.
E o falador pode ser você e todos os outros são tímidos.
Sempre vão te deixar esperando. De dois minutos a duas horas.
Se dizem que vão ligar até X horas, ou não ligam ou ligam às X-1 minuto.
E sempre, sempre, você vai achar que pode ter respondido melhor a todas as perguntas. Sempre.

Não use perfume, mas tome banho
Acessórios: de pequenos a nenhum
Nada de roupas muito extravagantes
Diga a verdade, sem dizer toda a verdade
Escove os dentes
Desligue o celular
Respire fundo
Dê o seu melhor