Egoísmo (?)

Eu quis ser livre.
Eu quis gritar. Quis fazer o que bem entendesse. A única satisfação que devo é a mim mesma. A única pessoa que sobrará no final de tudo será eu. O único coração leve é o meu. A última palavra é a minha. O único sorriso é o meu. E o que importa é que eu esteja bem.
O que eu chamava antes de egoísmo, hoje aprendi que é amor-próprio, talvez o único que realmente não te decepciona. O único que te corresponde das mais incríveis maneiras. O único ao qual você não consegue mentir.
Eu não desejo esperar de alguém o que não posso esperar de mim mesma, o que não posso oferecer a mim mesma. Então, não espere que eu retribua a tudo, que eu faça tudo sem pensar em mim, que eu consiga parar de pensar em mim por um segundo sequer. Porque o dia que a minha felicidade for menor que a dos outros, este será o dia que eu não serei mais eu mesma.

BACK IN BLACK

Não é o CD do AC/DC e nem o da Amy Winehouse.

Na verdade, decidi voltar. Volto, com 20 anos e mais alguma bagagem, afinal fazer aniversário não serve só pra fazer o tempo passar.

Apesar de ter parado um bom tempo com o blog, eu continuei a escrever, e com o tempo vou postando aqui.

Welcome back!

I’m here, I’m not queer, but I still have fun!

A primeira vez que eu me vi de cara com o mundo gay foi logo na Parada Gay, de São Paulo. Eu tinha uns 12 anos e passei a pé por uma das transversais que cortam a Av. Paulista. Eu estava com meu padrinhos e a gente tinha ido fazer umas compras, a pé mesmo. Foi quando eu ouvi um cara dizendo “Eu sou gay, eu pago as minhas contas e não devo nada a ninguém”. Eu era nova, tá, mas isso me fez pensar loucamente na vida – aqueles pensamentos loucos que a gente tem de vez em quando, introspectivos e que às vezes nem você entende. Sinceramente, eu achei aquilo o máximo.

Uns 2 anos se passaram e rodando pelos programas da madrugada, eu páro com um canal onde um cara chupava o outro num lugar escuro, com a luz meio azulada. Achei meio bizarro, mas a curiosidade fala mais alto, sempre! Continuei assistindo e ali começou uma paixão. Queer as Folk. Conheci muito do mundo gay, desse mundo estranho que ninguém nunca tinha comentado de forma correta ou, sei lá, dificilmente a gente ouve alguém falando sobre homossexualismo com naturalidade. Normalmente tratam como se fosse algo nojento ou digno de piadas sem graça. Eu, na minha pura curiosidade e falta do que fazer à noite, continuei assistindo ao programa.

Eu realmente me apaixonei por QaF. Esperava ansiosa por cada capítulo, chorava, ria e me imaginava em alguns personagens. E apesar de tudo, eu nunca senti desejo algum em virar lésbica. Pelo contrário, o que eu queria mesmo era conhecer mais e mais esse mundo onde a cor é mais viva, as músicas são mais dançantes e ninguém se importa muito com o que os outros vão pensar – entre eles, claro. Só que eu era muito nova. Me contentava em baixar as músicas da série pelo Kazaa – old school, man – e assistir às reprises dos capítulos.

Os 18 anos chegaram. E a vontade de ir à uma boate gay só aumentava. E eu não tinha amigos para irem comigo. Surgiu a necessidade urgente de um amigo gay. Nesse meio tempo, eu comecei a ler fanfics de Harry Potter onde os personagens são gays. Acabei escrevendo uma também, mas ela está pela metade. Falta tempo, inspiração… Foi quando surgiu, meu primeiro amigo gay. Numa noite sem nada pra fazer, nós acabamos indo pra uma boate gay frequentada da cidade. Ali eu me realizei! Poder dançar sem ninguém ficar te apalpando ou cantando, observar seu amigo dar em cima dos caras, dançar até ficar toda dolorida e o dia amanhecer, fumar meus cigarros em paz e poder sentir que mesmo não sendo desse mundo, eu faço parte dele.

Eu nunca fui uma pessoa preconceituosa e eu não pretendo ser. E muitas vezes, as pessoas me olham torto por eu gostar tanto de coisas gays, desde o arco-íris às baladas. Eu adoro isso e não vou deixar de vivenciar meu gosto.

“The thumpa-thumpa continues…”

Crise econômica (sic)

Peço desculpas pela falta de atualização aqui. Mas o tempo tem corrido pra mim como uma gazela fugindo do leão, desesperada e angustiada. Estudos e trabalho tomam conta da minha cabeça. Sobra pouco espaço para a criatividade. Só que hoje… hoje…

“Essa não é mais uma carta de amor
são pensamentos soltos
traduzidos em palavras
pra que você possa entender
o que eu também não entendo…”

Sabe quando você encontra uma pessoa que você sabe que é certa pra você? Vocês gostam das mesmas músicas, frequentavam os mesmos lugares quando eram solteiros e tem amigos em comum. Começam a faculdade no mesmo semestre, roem a unha e tem mais ou menos o mesmo tamanho. Tudo parece dar certo, é a receita típica de uma história que vai durar pra sempre.

Aí começam a surgir as diferenças. Aquilo que você mais detesta em alguém, ele faz igualzinho. O que uma pessoa disse e te magoou muito, ele fala de repente. O que você achava que era tudo, já não tem mais tanta importância e o que você quer é jogar tudo pro alto. E parece que ele não entende o que você quer dizer. Certas atitudes são intoleráveis, e a culpa é dos dois, sim. Existe tanta coisa que você quer dizer, mas a verdade é que você não consegue dizer nem um terço do que sente pra não machucá-lo!

E aí aparecem as dúvidas. As malditas! Será que eu tô fazendo a coisa certa mesmo? O que eu quero da minha vida de verdade? Você sabe que no fundo quer ficar com ele mais do que tudo! Você também sabe que dificilmente irá encontrar uma pessoa parecida com ele no mundo. Mas você sente que tá esfriando, sente que ele não age mais como agia no começo e parece que você é um poço dos alívios do stress. Não!

O que você realmente quer é a maturidade prometida lááá no começo. E sabe o quê? Você pode chorar o quanto você quiser, pode molhar todo o travesseiro todas as noites, mas ninguém vai entender metade do que você tá passando. Muito menos ele! A pessoa que você poderia contar com tudo é agora um grande obstáculo. Você não consegue essa aproximação, pra contar o que você sente, pra mostrar os teu sentimentos. E tudo parece escorrer… A vida que vocês tinham planejado, o nome da futura filha, os jantares do mês que vem, tudo…

A real é que talvez ele não se importe com isso. Talvez ele não tenha mesmo maturidade pro que você esteja esperando. E talvez mesmo seja melhor tocar a vida… Mas não. Você o ama incondicionalmente e só quer fazer com que ele entenda tudo isso e que demonstre tudo aquilo o que ele prometeu: o amor e a maturidade. E se fizerem isso acontecer, a verdade é que não vai nem precisar de receita típica de história pra durar pra sempre.

Olha e vê.

Ele passou, mais uma vez. Eu o vi, óbvio.
Aliás, tenho visto ele desde a primeira vez que o vi. Ele olha, mas não vê. Acho que nunca chegou a ver além daquilo que ele queria. Mas o que ele vê? É o mesmo que eu vejo no espelho todos os dias? Não, não deve ser. Ele não me vê, só isso.
Duvido que saiba que eu existo.
Duvido que ele repare no meu corte de cabelo assim como eu reparo no dele.
Duvido que ele perceba que eu me vesti toda de verde, só porque ele é palmeirense.
Duvido que ele tenha me visto da primeira vez que eu o vi.
Quando ele passava, ficava tensa, parava de respirar por segundos, mas poderiam ser horas.
Quando ele passava, meu corpo se contorcia todo, só pra ver o dele gingando.
Quando ele passava, o perfume dele invadia a minha cabeça e os meus pensamentos
E da primeira vez, eu me apaixonei pelos olhos dele. Pela boca dele. Pelo jeito dele. Por ele gostar das mesmas bandas que eu.
Olhei lá no fundo e vi o que acabou se tornando os meus sonhos de todas as noites. E os meus devaneios de todos os dias.
Mas ele não via, sequer olhava. Nem sabia que eu estava apaixonada.

Defenestras?

TV, papel, chiclete, copo, a mãe, computador, perfume, fogos de artifício, balão, bola, ovo, gelo, tênis, ranho, cabelo, xarope, comprimido, a mãe, o pai, contas de luz, telefone, celular, garrafa, prendedor de cabelo, brinco, meia, o atendente de telemarketing, trabalhos, faculdade, horários, professor, comida, resto de maçã, resto de pêra, resto de creme dental, cuspe, meleca, cera de ouvido, lápis, caneta sem tinta, caneta com tinta, refil da caneta, vendedor de loja, almofada, chave, pó, sujeira, escova de dente, pente, o cara que vai a 30km/h na faixa da esquerda, carteira de motorista, IPVA, IPTU, IGPM, IIS, INSS, o marido, filhos, os filhos que não tem, o avô que morreu, a prima que mora longe, ursinho de pelúcia, calcinha, cueca, roupas do ex-marido, fogo, água, terra, coração, vidro, plástico, saco de salgadinho, pipoca, arroto, aquela pessoa que senta do seu lado no ponto de ônibus e não pára de falar, prova de matemática em plena segunda feira, aula, colega chato, mau humor, gripe, camisinha, conversa fora, beijo…

Quem nunca jogou – ou pensou em jogar – uma dessas coisas pela janela, que atire a primeira pedra – pela janela.

Primeiras Vezes

Era a primeira vez que ela ia buscar alguém de carro. Era a primeira vez que ele seria buscado.
Era a primeira vez que ela o via, ao vivo, em cores. Era a primeira vez que ele não a via somente em seus sonhos.
Era a primeira vez que ela escutava a risada dele, que via seu sorriso, que percebia suas espinhas, que reparava no seu cabelo. Era a primeira vez que ele a admirava, que apreciava o brilho do olhar dela, que notava seus lábios, que ouvia sua voz escandalosa.
Era a primeira vez que andavam por aí, juntos.
Era a primeira vez que não se importavam com o barulho lá fora, pois o silêncio ali dentro era muito mais importante do que qualquer outro ruído banal.
Era a primeira vez que descobriam que gostavam das mesmas músicas, que curtiam os mesmos jogos antigos, que desejavam assistir aos mesmo filmes.
Era a primeira vez que ela subia um morro. Era a primeira vez que ele ficava num carro com alguém que nunca havia subido um morro.
Era a primeira vez que ela ia à praia à noite. Era a primeira vez que ele ia à praia com ela.
Era a primeira vez que eles conversaram com o banco deitado, com a lua de testemunha, com o som das ondas, com o brilho das estrelas, com as vozes alteradas, com o coração disparando, com o vidro molhado…
Era a primeira vez dela, com um cara mais novo. Era a primeira vez dele.
E era a primeira vez que os dois se apaixonaram de verdade.

Eu nunca consegui esperar pra escrever alguma coisa que eu realmente quero e que tem um valor todo especial. Esse texto comemora os 11 meses ao lado dele. E eu me sinto como se já fizessem anos…

Parabéns pra nós, por nos agüentarmos e amarmos mutuamente!